Educação e igualdade de gênero: o papel da gestão educacional no avanço do ODS 5

O mês de março é um momento de reflexão sobre os avanços e desafios da igualdade de gênero. Esse período nos convida a reforçar compromissos concretos com a construção de uma sociedade mais justa e equitativa. Alinhada a esse contexto, a Organização das Nações Unidas – ONU propõe a Agenda 2030 como um guia global, especialmente a partir do ODS 5, que busca garantir que todas as mulheres e meninas tenham oportunidades iguais para prosperarem, se empoderarem e se sentirem seguras.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS se consolidam como a linguagem universal para transformar compromissos globais em realidade. As mulheres correspondem a 50% da população global e 52% da população brasileira, entretanto, não é possível falar em desenvolvimento pleno enquanto metade do mundo ainda enfrenta barreiras estruturais para acessar as mesmas oportunidades. Mais do que “largar atrás”, muitas mulheres sequer têm garantido o direito de estar na linha de partida em condições justas. Para superar esse cenário, é necessário reconhecer que essa agenda se materializa, de fato, nas políticas públicas e nas decisões cotidianas — especialmente no campo da educação.

A educação é a principal porta para ampliar oportunidades e autonomia para meninas e mulheres e reduzir desigualdades sociais. No entanto, mesmo sendo maioria no ensino superior no Brasil, as mulheres ainda ganham menos que homens em cargos de mesma responsabilidade¹, questão ainda mais grave aplicando o recorte racial. Em cargos de liderança, os dados são ainda mais preocupantes, principalmente em um cenário de desaceleração do avanço da presença feminina em posições de destaque².

A mudança deve partir da educação básica. A educação é uma das políticas públicas mais poderosas para promover igualdade de gênero e ampliar oportunidades ao longo da vida. É a partir de ferramentas de gestão, no cotidiano das redes de ensino, que muitos dos princípios da igualdade de gênero podem se transformar em práticas concretas. Ao cumprir seu papel na garantia de ambientes escolares seguros e inclusivos, as redes de ensino criam condições efetivas para a redução das desigualdades de gênero. Isso envolve investir na formação continuada de professores para a equidade, valorizar lideranças femininas na educação e fortalecer políticas de permanência escolar. As escolas são ambientes onde meninas têm acesso a oportunidades de crescimento acadêmico e profissional, enquanto meninos são ensinados desde a infância a reconhecer, respeitar e apoiar a liderança feminina.

Mas esse não é um papel exclusivo dos tomadores de decisões e gestores públicos. A sociedade civil e a iniciativa privada também devem atuar para fazer a diferença. Instituições que atuam no fortalecimento da gestão educacional desempenham um papel estratégico nesse processo. Por meio de formações, assessorias e produção de conhecimento, essas organizações contribuem para qualificar a tomada de decisão, fortalecer capacidades institucionais e incorporar a perspectiva da equidade no planejamento e na execução das políticas educacionais. Nesse contexto, iniciativas voltadas à gestão municipal ganham ainda mais relevância, ao atuar diretamente com quem está na linha de frente da implementação. Tal ação potencializa o impacto das políticas públicas e contribui para que a promoção da igualdade de gênero se torne parte estruturante das redes de ensino.

Promover igualdade de gênero é um processo contínuo que passa pela construção de oportunidades, pelo fortalecimento de políticas públicas e pela formação de novas gerações em ambientes mais justos e respeitosos. O progresso em direção a um objetivo global começa em pequenas atitudes, repercutidas principalmente no mês de março, com o Dia Internacional da Mulher, mas que devem ecoar todos os outros dias. A escola é o primeiro espaço estratégico para uma transformação social que é construída diariamente, no cotidiano de todos nós.

Katarina Vasle

Gestora pública e coordenadora de projetos educacionais do Instituto Educa Cidades

Notas
¹<https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/mulheres-sao-maioria-no-ensino-superior-representam-59-das-matriculas/>
²<https://exame.com/carreira/avanco-das-mulheres-na-lideranca-perdeu-ritmo-desde-2022-aponta-estudo-do-linkedin/>

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